Marilu Martens Oliveira
Luciana Carneiro Hernandes
Luiz Adriano Morgante
Joel Slipack
Denise da Silva de Oliveira
A história de Cornélio Procópio e inúmeros acontecimentos relevantes são apresentados pela perspectiva de um ilustre morador, o senhor Sílvio Antônio Cunha, pessoa ativamente presente na vida política, social, esportiva e cultural da cidade. Fatos alegres e tristes, que marcaram a existência de inúmeras pessoas e ajudaram a construir o que a cidade é hoje, são por ele relatados.
Sílvio Cunha em registro pessoal de seu casamento.
Sílvio Antônio Cunha, empresário procopense e com formação em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina, nasceu em 09/05/1952, filho do casal Áurea, do lar, e Sebastião Cunha, o primeiro barbeiro da cidade (proprietário do Salão Comercial, em homenagem ao time de futebol homônimo) e músico da nossa primeira orquestra: Jazz Tangará, mais tarde Orquestra Tangará e depois Universal Som Pop.
Estudante do antigo Segundo Grupo Escolar, Sílvio depois fez o curso de admissão ao Ginásio, na escola do professor Bonfim – Instituto Procopense de Ensino (IPE), para entrar no Colégio Estadual Castro Alves, fazendo o Ensino Médio – Técnico de Comércio – na escola Barão do Rio Branco.
E foi discorrendo sobre sua família – os irmãos Sônia, Stela Maria, Sérgio André (in memoriam), Sidney Olegário e Siomara, todos envolvidos com diferentes manifestações artísticas.
Sílvio Cunha com familiares.
Sua esposa é a professora Márcia Cristina, e suas filhas são Áurea Carolina e Vitória. O entrevistado lembrou-se, com muita saudade, de sua avó, dona Mariquinha, pessoa conhecida por seu espírito filantrópico e pela participação na direção do Abrigo Bom Pastor e do Centro Espírita Redenção.
Com uma vida política ativa, Cunha foi vereador em três legislaturas, presidente da Câmara de Vereadores e prefeito municipal de Cornélio Procópio em 1982. Atuou também como empresário de bandas musicais, regente de bandas marciais, agitador cultural e chegou a ser líder estudantil, participando da UESP – União dos Estudantes Secundários Procopenses – com Erasmo Garanhão, Stela Cunha, Omar Baddauy, Orlando João Ducci e Jaime Bonfim.
Foi também membro do conjunto musical The Black Birds (de 1967 a 1973), ao lado de seu irmão Sid e dos amigos José Luís e Carlinhos Ferreira, estes últimos herdeiros da veia musical do pai, maestro Cristalino Ferreira. Muitos foram seus colegas de bandas musicais, na época denominadas “conjuntos”: Mc Stones (Justino Marques – o Tino; Tuti – Francisco Petrus; Juari; Valcir; Alvinho Biagi); The Bad Boys (Carlão – Carlos Machado; Zezinho; Marcos e Edson Feracin; Polaco – Valdemir Soares; Ataíde Cuqui), considerado então o melhor conjunto musical do Paraná; Os Dragões (Gilberto, Zeca, Nivaldo e Alvinho). Sílvio ressaltou que ainda foi empresário da Orquestra Universal Som Pop durante muitos anos, na qual se destaca como crooner.
Sílvio Cunha durante apresentação musical.
Agitador cultural e realizador de inúmeras ações sociais, o entrevistado lembrou-se dos circos e parques que visitavam a cidade, das apresentações na TV Coroados (programas da “tia Lucy” e “Jovem Guarda”, dos irmãos Diniz) e nas rádios procopenses, bem como da promoção de shows e bailes, com artistas como Olodum, Roupa Nova, Nelson Gonçalves, Chitãozinho e Xororó, Dominguinhos, Rita Lee, entre outros.
Entre suas recordações marcantes está a colaboração com a organização do carnaval de rua da cidade, que, em seu passado glorioso, contou com a presença do carnavalesco carioca Joãozinho Trinta, da Garota de Ipanema Helô Pinheiro, do diretor do Ilha Porchat Clube, Odárcio Ducci, e das mulatas do Sargentelli. Inesquecíveis ainda são os shows do Grupo Sílvio Cunha, com animaizinhos, sendo que um deles era o procopense Alexandre Carlomagno, hoje renomado ator de televisão e teatro, e o lançamento da Cartilha Pacotinho.
Sua participação foi de suma importância para o projeto que registra a memória de procopenses, com seus relatos sobre os fatos marcantes da cidade, além do grande acervo de fotos e jornais que disponibilizou para o GP EDITEC.
REFERÊNCIAS
CAETANO, Márcia. Literatura de testemunho. 2006. Disponível em: http://marciacl.typepad.com/na_linha/2006/01/. Acesso em: 05 maio 2013.
MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Manual de história oral. 5. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2005.
CUNHA, Sílvio Antônio. Sílvio Antônio Cunha: depoimento [mar. 2013]. Entrevistadores: Marilu Martens Oliveira, Luciana Carneiro Hernandes, Luiz Adriano Morganti e Joel Slipack. Cornélio Procópio – PR, 2013. Entrevista concedida ao Projeto “Evocações do Passado: Memórias de Procopenses”, da UTFPR.
PENNA, João Camillo. Este corpo, esta dor, esta fome: notas sobre o testemunho hispanoamericano. In: SELIGMANN-SILVA, Márcio (org.). História, memória, literatura. Campinas: Ed. Unicamp, 2003. p. 314-347.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. Apresentação da questão. In: SELIGMANN-SILVA, Márcio (org.). História, memória, literatura. Campinas: Ed. Unicamp, 2003.
THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral. Tradução: Lólio Lourenço de Oliveira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
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